MONET E A FOTOGRAFIA
A pintura e fotografia, enquanto formas de comunicação visual, são elementos básicos da integração humana. É uma mediação para que o indivíduo apreenda a realidade de forma única e particular, tornando-o capaz de estabelecer, manter e aumentar contatos com as outras pessoas.
Para verificar a relação existente entre o impressionismo de Monet e a fotografia, ambos inseridos no âmbito da comunicação visual, parti do princípio de que a comunicação visual é realizada através da percepção pessoal do artista e do fotógrafo sobre os mais diversos temas.
Escolhi Monet, dentre os diversos pintores, inclusive impressionistas, para ser objeto de comparação à fotografia. Monet pintava ao ar livre, de modo a lhe permitir uma captação mais próxima da realidade, das manifestações da luz sobre os objetos. O processo de trabalho de Monet assemelha-se ao processo fotográfico: a fotografia registra as manifestações da luz sobre os objetos. Como parecia impossível à Monet pintar duas vezes mesmo quadro, apesar de fazer várias tentativas, ocorre o mesmo com a tentativa de obter duas vezes a mesma fotografia.
Monet desenvolveu um trabalho intitulado de impressionista, buscando retratar, da forma mais fiel possível, a incidência da luz sobre as coisas, traduzindo, na pintura, seu próprio sentimento e visão ante a realidade. Salientam-se, pois, a luz e a cor natural, capturada em ambiente externo, de maneira que qualquer desvio no ângulo dos raios solares implica em uma mudança concomitante das cores e tons. Nesse contexto, apesar de retratar o mesmo cenário várias vezes, os resultados obtidos seriam sempre diferentes.
Fotografar é imortalizar um momento único, ao qual não se poderá mais voltar, senão através daquele registro. Nada mais que um simples clique, um momento, um único e eterno registro. Imagens que serão para sempre não a mera realidade apreendida, mas a que foi captada pelo olhar do fotógrafo. Mesmo tentando fazer um enquadramento igual ou conservando o mesmo ângulo, torna-se impossível tirar duas vezes a mesma fotografia, por que as condições de luz são mutáveis e variam de segundo a segundo.
São evidentes as semelhanças entre os dois processos de comunicação visual: a pintura impressionista de Monet e a fotografia. A luz é a fonte, o início de ambos trabalhos: Monet procurava ser fiel às suas nuances, à impressão que deixava nos objetos; fotografar é um processo que capta a configuração da luz; onde há luz, percebe-se a formação do objeto, onde não há, percebe-se a sombra.
Em suma, foi tomada como pressuposição a idéia de que as imagens reproduzidas, seja pela fotografia ou pela pintura, não são a mera realidade apreendida, mas uma configuração única, obtida segundo a visão de quem assim a configurou.
