EXPOSIÇÃO SAINTOS QUASE TODOS - Ana Durães
ATMOSFERAS QUASE TODAS
Uma nova exposição de Na Durães é sempre um repositório de surpresas. Suas pinturas possuem aquela qualidade - tão rara e confortante - de proporcionar a sensação de confiante familiaridade com a invenção, algo como o permanente reencontro com uma arte que procura sempre alcançar seus limites e com isso demonstra de modo inequívoco que esses limites existem apenas para serem transpostos e superados. Estamos diante da obra de um pintora em sua maturidade existencial e artística, mas que conserva a vivacidade e a energia da primeira juventude, durante a qual assumiu a árdua decisão de construit e manter uma cerreira de intensa dedicação e coerência.
Os trabalhos desta amostra foram reunidos conforme um propósito de significação determinado, construindo uma espécie de percurso simbólico complementar em relação às formas e às imagens que nos são apresentadas. Da sequência de caixas iluminadas, com suas propriedades de evocação mística tão bem caracterizadas pelo singela estrutura formal quanto pela direta referencia aos elementos da iconografia cristã, até o tremendo impacto que produzem as grandes telas coloridas que constituem o climax do trabalho atual da artista, encontra-se o definitivo testemunho de que Ana Durães bem merece ser reconhecida como expoente da sua geração e como uma das mais destacadas presenças na pintura brasileira do presente.
Outra maneira não haveria de compreender certas liberdades de sua ousada atração por um tema denso como a religiosidade, mas ainda quando envolvido pela explícita referência ao imaginário da fé católica ou à visão retrospectiva da história da arte universal, de Tiziano e Rafael ao Barroco das Minas Gerais, tudo isso consolidado através daquela sensível proficiência na criação de estruturas cromáticas e suportes materias que conhecemos desde os trabalhos mais antigos da artista. O resultado é uma exposição que cria um atmosfera muito especial, composta pela singularidade de outras tantas atmosferas específicas que emanam de cada pintura ou objeto em particular, uma espécie de elegia crítica cuja configuração é a de uma comploxa rede de tênues paradoxos.
Carlos Alberto Maciel Levy
Rio de Janeiro, agosto 2001
