Artes plásticas perdem Jenner Augusto Silveira
O pintor Jenner Augusto da Silveira, um sergipano considerado como um dos renovadores das artes visuais baianas, foi enterrado ontem, às 11 horas, no Cemitério do Campo Santo. Ele morreu sábado, às 18 horas, no Hospital Aliança, aos 78 anos (faria 79 em 11 de novembro), de falência múltipla.
Há cinco anos, Jenner Augusto sofreu um enfarte e colocou várias pontes de safena. No entanto, ficou com insuficiência cardíaca e, mais recentemente, insuficiência renal, além de diabetes. “Sua vida nos últimos dois anos era um entrar-e-sair de hospitais. Foram cerca de 18 edemas pulmonares. Sua morte foi um descanso para ele”, resumiu a mulher, Luíza da Silveira.
Jenner Augusto nasceu em Aracaju (SE), onde realizou a primeira exposição individual (1945) e lançou (1949) as raízes da arte moderna em Sergipe – a pintura decorativa do Bar Cacique –, em Aracaju. Nesta obra, ele deixava claro a influência de Portinari. Neste mesmo ano, fixa residência em Salvador e passa a conviver com artistas baianos que tentavam renovar as artes plásticas, especialmente Mário Cravo Júnior, em cujo ateliê passou a trabalhar, conhece ainda James e Jorge Amado. Na década de 60, pinta constantemente o bairro de Alagados e paisagens de Salvador.
Segundo Luíza da Silveira, apesar de adoentado, Jenner Augusto trabalhou até o ano passado. Mas a última exposição, na galeria que leva seu nome, em Aracaju, ele não pôde participar. São 18 quadros da última série que pintou.
O pintor Jenner Augusto deixa cinco filhos e dez netos. Jenner era irmão do jornalista Junot Silveira. Ao enterro compareceram vários amigos, dentre eles Mário Cravo, Zélia Gattai, Nanci Caribé, James Amado e Vítor Gradin.
por Haroldo Aquilles
Jornal A Tarde - 04/03/2003
