março 26, 2005

Exposição mostra a arte dos antepassados

A arte dos antepassados está de volta numa exposição itinerante de máscaras, vasos e ânforas que percorre o Brasil mostrando um pouco das culturas inca, maia, asteca, indígena e nordestina. Com 109 peças variadas, a exposição do artista plástico Paulo Lima, 39 anos, ocupa o foyer do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, em Rio do Antônio, até o próximo domingo.

Durante a exposição, numa aula prática de história, os estudantes ficam sabendo mais sobre os Incas, antiga e poderosa civilização da América do Sul; os Maias, povos que viviam exclusivamente de caça e pesca, e os Astecas, os antigos indígenas habitantes do México.

Natural de Rio do Antônio, município do semi-árido baiano, Lima se especializou em figuras confeccionadas em cerâmica, utilizando técnica da pátina nas peças. O efeito, um misto de envelhecido e moderno, atrai dezenas de pessoas ao centro, desde crianças até grupos de universitários do curso de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

DETALHES – Uma das peças de destaque é o guerreiro-águia, que tem a cabeça do animal protegendo uma humana. “Os Astecas tinham muito respeito à natureza, aos animais, acreditando que um protegia o outro”, explica o artista. O sertão nordestino, que Paulo Lima conhece muito bem, é representado por uma arandela sertaneja (suporte preso à parede para receber bico de gás, vela ou lâmpada elétrica). Nela se vê uma figura de um lavrador esquálido, próximo a um cacto, de costas para um esqueleto bovino.

Os detalhes de cada uma das peças impressionam os visitantes. “Se uma peça dessa for deixada num local de pesquisa histórica, certamente confundirá qualquer um, tamanho é o detalhe e a semelhança com o original”, observa o estudante Eduardo Tadeu Santos.

Segundo o artista, o trabalho começa a partir de uma vasta pesquisa histórica, em enciclopédias e livros escolares, seguindo-se o molde, escolha das cores até o produto final. Da pesquisa à criação, são necessários de 15 a 20 dias, de acordo com Lima.

PERFEIÇÃO – O processo de produção começa com a confecção do molde, que leva, em média, um dia e meio. Pode ser em gesso ou em fibra de vidro. Depois, vem o pesado, isto é, o trabalho com a cerâmica, além de muita transpiração, afinal o que marca a peça é o detalhe e a perfeição, como acentua o artista. “Faço questão de reproduzir nos mínimos detalhes para que a peça se aproxime do original”, revela. Depois de pronta, a obra recebe uma coloração que simula envelhecimento ou desgaste natural pelo tempo. A tinta é produzida por ele, um segredo escondido a sete-chaves.

Cada peça pesa em torno de 15 quilos, e algumas são disputadas por colecionadores. Foi assim, por exemplo, com a máscara mortuária dourada do rei Tutancamon, cujo original foi descoberta há 80 anos. A primeira réplica esculpida pelas mãos hábeis do artista não escapou da cobiça dos europeus e foi do sertão para a Alemanha, embalada cuidadosamente e transportada de avião. O objeto, representando o rosto de um dos mais misteriosos faraós do Egito - e também o mais conhecido - chegou a um colecionador por US$ 500, cerca de R$ 1,3 mil.

O despertar para a arte surgiu em 1995, quando o então serralheiro foi convocado a cumprir uma tarefa: esculpir bustos de ex-prefeitos da região sudoeste. “O povo gostou e passei a fazer em escala comercial”, disse. Aí foram surgindo bustos, réplicas de igrejas, casas coloniais e tudo que a imaginação de Lima determinava.

A TARDE On Line - 21/03/2005