Conflitos de família em peça de O'Neill

Texto de Eugene O'Neill, Onde há uma cruz, estréia dia 23,às 18horas, na Sala 5 da Escola de Teatro, com entrada franca.
Um pai delirante, uma filha compassiva e um filho alcoólatra, que mantém o sonho de publicar um livro. Num cenário em que parte de uma casa é transformada no tombadilho de um navio, O'Neill faz desfilar a angústia de seus personagens por trás de conflitos gerados pela perda de um navio, uma hipoteca e a necessidade de se abandonar a casa. Mas isso é apenas o conflito aparente, as almas das personagens são perturbadas por seus conflitos interiores, frustrações acumuladas ao longo da existência que, como num caleidoscópio, vão carregando as personagens para cada vez mais longe da realidade. Onde há uma cruz, assim como outros textos seus são autobiográficos.
Eugene O`Neill teve uma vida aventureira na juventude. Foi expulso da elitista Universidade de Princeton, tentou ganhar a vida em Honduras e na Argentina e foi ator e jornalista antes de começar a escrever para o teatro. Em 1936 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura a foi agraciado com o Prêmio Pulitzer por varias vezes. Onde há uma cruz foi pouco montado no Brasil e o texto mais conhecido do autor é Longa Jornada Noite Adentro.
Onde há uma cruz pertence a primeira fase da dramaturgia do autor, ainda sob influência do expressionismo. A peça em um ato retrata a insatisfação humana vivida pelo personagem principal, Nat, quanto às questões familiares. A falta de ação frente aos problemas do dia-a-dia leva as personagens a condições insustentáveis no ambiente familiar. O diretor Pedro Benevides preferiu ressaltar os conflitos retratados na peça através de uma estética realista, transpondo o espectador para um universo onde as emoções são exacerbadas devido a falta de referência do que é realidade e o que é construído pela mente humana. A iluminação, assinada por Marcelo Marfuz, é marcada pela presença e ausência de luz colaborando para revelar os conflitos vividos em cena. O figurino de Hamilton Lima e o cenário de Rodrigo Frota tenta inserir o espectador no espaço, de modo que seu ponto de vista obtenha um ângulo pouco convencional.
O elenco é composto por veteranos como Fernando Neves (Eu me lembro - filme) e Bira Freitas (Deus danado - teatro) e pelos estudantes Simone Brault (Fogo Possesso ) e Leonardo Passos (O Pagador de Promessas).
O DIRETOR
Pedro Benevides iniciou a carreira no teatro aos 14 anos, como assistente de iluminação, já trabalhou com iluminadores e diretores baianos como Marcelo Marfuz, Eduardo Tudella, Luiz Marfuz, Harildo Déda e atualmente é assistente de direção no espetáculo "Mestre Haroldo e os Meninos" (Sala do Coro do TCA) com direção de Edwald Hackler. Foi iluminador de Metamorphos-in e Pagador de Promessas. Agora conclui o curso de Direção Teatral na UFBA.
Onde há uma cruz fica em cartaz na Sala 5 do Teatro Martins Gonçalves nos dias 23 e 24 de novembro, às 18h, e 25 e 26 às 18h30m e 20h. A entrada é franca e senhas serão distribuídas meia hora antes do início do espetáculo.
FICHA TÉCNICA
O quê: Onde há uma Cruz
Autor: Eugene O`Neill
Diretor: Pedro Benevides
Elenco: Fernando Neves, Bira Freitas, Simone Brault e Leonardo Passos
Onde: Sala 5 do Teatro Martim Gonçalves (Bairro: Canela)
Quando: Dia 23 e 24 às 18h, 25 e 26 as 18h30m e 20h
Ingresso: Entrada Franca
