14º Salão da Bahia reflete panorama daprodução contemporânea de artes visuais do Brasil
Espaço exclusivo para vencedores dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia 2007 e premiação especial para artistas baianos são algumas das iniciativas que o Salão da Bahia implementa este ano, com o objetivo de dar visibilidade e promover o desenvolvimento da produção artística local.

Pinturas, esculturas, performances, fotografias, vídeos, instalações e intervenções. Esta multiplicidade de linguagens artísticas poderá ser vista nos espaços expositivos do Museu de Arte Moderna da Bahia, a partir do dia 17 de dezembro, quando será lançado o 14º Salão da Bahia, às 19 horas.
"O Salão da Bahia se constitui hoje como peça importante de um projeto maior que é converter a Bahia em um pólo brasileiro de arte e em uma referência para a cena artística internacional". Com essas palavras, a diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia, Solange Farkas, conceitua a mostra que traz, pela primeira vez, um espaço especial para os vencedores dos dois últimos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia 2007.
Este espaço contará com as obras premiadas nas edições dos Salões Regionais realizados em Juazeiro e Feira de Santana, reunindo trabalhos entre gravuras, instalações, vídeo e a mais nova premiação que contempla a produção reflexiva, ou seja, artigos e projetos de curadoria. Os Salões Regionais de Artes Visuais são um espelho do que é produzido nas diversas regiões do estado.
Os critérios para a premiação levaram em conta, principalmente, a qualidade da obra ou do projeto e a relevância artística para o desenvolvimento das artes visuais no estado. "É mais uma iniciativa para fazer valer uma das principais vocações do evento que é garantir a inclusão e dar visibilidade à nova produção local", explica Solange Farkas.
Pela sua abrangência nacional, o Salão da Bahia traça um importante panorama da produção da arte contemporânea brasileira com especial destaque para a produção baiana. Foram mais de 1.500 artistas inscritos, reunindo um total de 2.332 trabalhos vindos de quase todos os estados brasileiros. O Salão reafirma seu caráter de amplitude nacional na medida em que traz, entre os selecionados, trabalhos de artistas do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e do Ceará.
Comissões de Seleção
Do total de inscritos, foram selecionados 41 artistas, cujas obras passaram por uma rigorosa avaliação da comissão de seleção que também direcionou o trabalho de curadoria da exposição do 14º Salão da Bahia.
Solange Farkas, diretora do MAM e curadora geral do 14º Salão da Bahia, é a responsável pela criação de um novo conceito de montagem, ampliando o percurso expositivo do Museu e explorando todas as possibilidades do Solar do Unhão dentro de uma perspectiva que respeita o conteúdo simbólico e a estética que trazem em si. A idéia é que as obras dialoguem com o público, refletindo um conceito estético global do Salão, não limitando a experiência do visitante a cada trabalho, mas sim, o convidando a apreciar o todo.
Integraram a comissão de seleção o artista plástico, professor de teoria da arte e vice-presidente da Associação de Artistas Visuais da Bahia, Almandrade; o professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC de Minas Gerais, Eduardo de Jesus; o renomado artista plástico baiano, Justino Marinho, que traz na bagagem a curadoria dos Salões Regionais de Artes Plásticas de 1992 a 2002; o artista plástico sergipano, radicado na Bahia, Vauluzio Bezzerra, além da própria Solange Farkas.
O júri de premiação, que será anunciada no dia 18 de dezembro, é composto pelo curador geral do MAM-SP, Felipe Chaimovich; pela crítica e diretora do Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães (MAMAM) de Recife, Cristiana Tejo; o curador e diretor do Centro de Arte Contemporânea Inhotim – CACI, Jochen Volz; o diretor da Escola de Belas Artes da UFBA, Roaleno Costa e o assessor de direção do MAM-BA, Daniel Rangel.
Premiação
O júri atribuirá seis prêmios de aquisição no valor de R$ 15 mil cada um e as obras premiadas passarão a fazer parte do acervo do MAM. Além destes prêmios, este ano, foi criada uma premiação especial para artistas baianos. Trata-se da concessão de três residências artísticas, sendo uma na França, uma na Inglaterra e outra em São Paulo.
O processo da residência consiste no custeamento da estadia e de toda a infra-estrutura para que o artista desenvolva seu trabalho dialogando com a arte contemporânea em voga no mundo. Com a inserção do resultado desse trabalho no ambiente baiano, espera-se um enriquecimento da produção local.
Catálogo
O catálogo desta edição, que será lançado em janeiro, também ganha tratamento editorial especial, a começar pelo projeto gráfico criado especialmente pela dupla de artistas Detanico&Lain, mas sobretudo pela qualidade das imagens e dos textos conceituais e referenciais dedicados aos artistas e suas obras.
Artistas vindos da formação do design gráfico, Ângela Detanico e Rafael Lain desenvolvem um trabalho de forte raiz conceitual e tecnológica a partir de um repertório tirado basicamente da tipografia. Detanico&Lain tem uma produção reconhecida mundialmente já tendo participado de eventos como a 52ª Bienal de Veneza, a primeira edição da Bienal de Valência na Espanha, no segmento de artistas selecionados pela Fundação Bienal de São Paulo, além de ter realizado exposições individuais nos museus parisienses Jeu de Paume e Zadkine. A dupla também integrou as seleções da 26ª e 27ª Bienal de São Paulo.
Salão como ponto de reflexão
Uma das propostas do Salão da Bahia é incentivar o contato dos cidadãos baianos e de visitantes com as artes visuais contemporâneas, passando a ser um ponto de reflexão e um local para discussão. Nesse sentido, o Núcleo de Arte e Educação preparou uma programação especial com visitas guiadas e ciclos de palestras. Os eventos serão gratuitos e abertos para toda a comunidade.
Nestes 13 anos de existência, o Salão da Bahia premiou 98 artistas, entre 390, selecionados, que participaram de exposições no MAM-BA, onde foram vistos por milhares de pessoas que puderam ter acesso à produção contemporânea brasileira.
