
477 ANOS DA CIDADE DA BAHIA
Desde 1999, quando foi realizada a Exposição ARTE - ARTE SALVADOR 450 ANOS, reunindo 50 artistas, que a Cidade do Salvador merecia uma representativa EXPOSIÇÃO COLETIVA DE ARTE contemporânea em sua homenagem. Somos, pois, privilegiados em poder interagir com 62 obras de arte que evocam a histórica Cidade do Salvador, também reconhecida como Cidade da Bahia pelo povo interiorano que assim se referia à sua capital.
Salvador é a cidade das artes, da história, da cultura, da criatividade, das manifestações populares, das miscigenações e sincretismos, da unicidade na pluralidade, que explode em cores, vibrações, plasticidades, interatividades e transgressões, sendo palco de grandes movimentos artísticos, nas suas diversas linguagens, como a música, a dança, o teatro, o cinema, a fotografia e, em particular, as artes plásticas, focada nesta histórica exposição.
Nos seus 477 anos de existência, a primeira capital do Brasil, fundada em 29 de março de 1549, e primeira cidade do Brasil, elevada em 25 de fevereiro de 1551, atualmente madura o suficiente e jovem o necessário, se revela nos surpreendentes traços e formas destes 62 talentosos artistas, com suas novas criações inspiradas na terra mater, ou adotiva, que tanto inspira quanto compromete e provoca, desafiando suas inesgotáveis criatividades.
Nascidos ou naturalizados baianos, de várias gerações, estes artistas, tão plurais e diversos nas suas linguagens, regionalmente universais, expressaram-se em distintos suportes, materiais e técnicas, adotadas para homenagear Salvador, uma cidade onde os limites não encontram obstáculos para suas explosões artísticas, ecoando como uma voz uníssona na mente, no coração e na alma do povo soteropolitano, com absoluta liberdade de expressão.
Suas artes se revestem de um simbolismo, subjetivo e de caráter humano, individual e coletivo, como reflexo de uma vivência imersiva na efervescência desta metrópole que atravessa a sua história com muita personalidade, como nenhuma outra no mundo, no encontro de povos e culturas, de diversas raízes e matrizes, que se mesclam, definem e redefinem, num apaixonante caldeirão cultural, com criatividade, veracidade e autenticidade.
O segredo da vida se revela no diálogo entre o olhar e a palavra, que são condicionantes universais. A educação do olhar educa o intelecto, o pensamento e a palavra, verdadeiro esteio para a educação da vontade e da ação. Daí decorre a imagem, isto é, a postura e atitude. O olhar dá forma pela imagem ao pensamento, à linguagem e à ação. O artista tem o olho sutil, é aquele que vê e revela o invisível pela arte e não se deixa seduzir pela palavra.
O ciclo da vida nunca se fecha, mas se renova com a contínua educação do olhar, que a arte é capaz de realizar. A arte chega a nos possuir, colocando-nos diante de uma presença, de uma dimensão educadora e transformadora, subjetiva e determinante. Olhar e palavra compõem a estrutura básica do ser humano, a sua inteireza, definidora da sua postura e atitudes, que constroem a sua complexa imagem identitária, resultando na educação da vontade.
Esta EXPOSIÇÃO COLETIVA DE ARTE é como uma linda colcha de retalhos, que a curadoria de Chico Mazzoni e Angela Petitinga teceu com singular maestria, reunindo os artistas para compor um expressivo conjunto, e possibilitando a sua expressiva costura. Citá-los todos o catálogo já o fez, e apreciá-los e interpretá-los individualmente e coletivamente, tendo em vista a bela exposição que se segue, compete ao olhar de cada sensível observador.
Porém, evocá-los em conjunto faz-se necessário para registrar a riqueza panorâmica construída a partir de talentos individuais, que se complementam em harmoniosos contrastes com multiplicidade que o tema induz e conduz, e que se renova a cada geração, marcando o seu território linguístico temporal com personalíssima autenticidade. A arte é, pois, a criativa linguagem universal do diálogo para a vida, que não se deixa seduzir pelas palavras.
A homenagem ao mestre Carybé é fruto do grande reconhecimento à obra do imortal intérprete da cultura baiana, que debruçou um apaixonado olhar pela nossa terra, em tudo que ela expressa de mais original e belo, imortalizando-a em diversas linguagens artísticas, jamais alcançadas com tanta riqueza e expressividade. O olhar de quem vem de fora, quando atingido pela fascinante descoberta do novo, revela surpreendentes cenários do cotidiano.
Outra consideração pertinente, é o fato do Museu da Misericórdia acolher esta exposição, sendo a Santa Casa a mais antiga instituição, juntamente com a Câmara Municipal, na Cidade do Salvador, ambas aqui instaladas para a sua fundação, e que atualmente abriga este grandioso espaço museológico e cultural, restaurado para preservar a sua memória institucional e abrigar eventos como este, que a enobrecem e engrandecem a Bahia.
Ao contemplarmos esta panorâmica EXPOSIÇÃO COLETIVA DE ARTE, que educa o nosso olhar para múltiplas visões da nossa terra, educamos a nossa postura, na busca de vocábulos para traduzir aquilo que a alma e o coração captam e a mente interpreta em palavras. Educando o nosso olhar para e pela arte, dá-se uma sintonia perfeita entre o observador e a arte que, num diálogo imersivo, se fundem como numa catarse, saber ver é uma arte!
Chico Senna































































Surpreende-nos a capacidade de renovação de Salvador - a velha Cidade da Bahia, São Salvador da Baía de Todos os Santos. Ela sempre se reinventa quando os propósitos são verdadeiros, sobretudo quando se trata de arte contemporânea.
A exposição coletiva MOSTRA 477 - 477 ANOS DA CIDADE DA BAHIA, instalada na sala de exposições contemporâneas do Museu da Misericórdia, é uma das provas vivas desta renovação. Nela o novo se apresenta como horizonte. As janelas que se abrem sobre a Baía de Todos os Santos nos sinalizam o quanto a cidade inteira torna-se, ela própria, matéria estética - um corpo antigo que insiste em pulsar o futuro, inspirando incessantemente o movimento da arte.
Nesta edição inaugural, 62 artistas baianos ou naturalizados baianos ocupam o espaço para afirmar que a contemporaneidade é um território que já nos pertence. A mostra reúne 51 obras bidimensionais em linguagens e técnicas que ousam sem pedir licença, desde o desenho, a pintura, a fotografia e a joalheria, até as artes digitais e outros híbridos - além de 11 esculturas em metal, madeira, cerâmica e poliuretano. Entre elas, uma que utiliza o Raku, milenar técnica japonesa de emendar pedaços de cerâmica com ouro verdadeiro.
Quando a proposta da mostra foi lançada, em novembro de 2025, a adesão dos artistas foi imediata, intensa e renovadora. Não apenas pela potência criativa do grupo, mas também porque a Salvador de hoje, depois de um longo hiato de ausências e carências, estava faminta de arte que a celebrasse sem nostalgia e a representasse como ela merece.
Com o aval dos artistas, a curadoria presta ainda tributo ao mestre Carybé expondo duas de suas obras que se integram à nossa mostra, evocando sua devoção à Cidade da Bahia e sua imersão sagrada como obá de Xangô, iniciado no Ilê Axé Opô Afonjá. Nele a criação artística e a força ancestral, mais que em qualquer outro, se encontram para louvar e bendizer a nossa terra.
Mas esta exposição, na verdade, não se encerra em si. Ela se pretende semente a partir da qual os passos dados hoje tornar-se-ão caminho contínuo, encontro marcado, celebração que retorna. Por isso desejamos que a cada ano, no aniversário da cidade, ela e a arte voltem a se encontrar num espaço como este - reafirmando a renovação e a reinvenção, tão sinalizadoras da contemporaneidade.
Afinal Salvador já não se define mais pela sua idade, mas por sua capacidade infinita de recomeçar.
Pois que seja sempre nova. Sempre contemporânea. Sempre a Cidade da Bahia. E que retome o carinho aos seus artistas, como sempre acontecia!
Chico Mazzoni e Angela Petitinga. Curadores.
Chico Mazzoni e Angela Petitinga
Chico Mazzoni • Angela Petitinga •
Leonardo Bokor / expoart.com.br
Leonardo Bokor / expoart.com.br
Adriana Patrocínio
Obra Thomé de Souza: Rosângela Esteves
Carybé: Mario Cravo Neto
Demais: Acervos dos artistas
Ana Elisa Ribeiro Novis • Ana Kruschewsky • Ana Pithon • Angela Ferreira • Carlos Muniz • Chico Senna • Gabriel Bernabó • José Antônio Rodrigues Alves • José Dirson Argolo • Lorena Mendes • Luiz Humberto Carvalho • Marcelo Cunha • Mario Cravo Neto • Osvaldina Cezar Mesquita • Paula Berton • Rosangela Esteves • Solange Bernabó • Xico Diniz
• Câmara de Vereadores de Salvador
• Instituto Flavia Abubakir
• Toda equipe do Museu da Misericórdia




