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Exposição individual do Artista Plástico Guache Marques

Natureza mítica

Caius Marcellus Araújo / Artista Plástico, Músico

O verdadeiro tema das pinturas afro de Guache Marques não é, como se tem dito, a africanidade ou afrodescendência; o tema dessas pinturas é a cor. Os motivos afro-brasileiros podem aqui ser o assunto, um dado circunstancial, contingente, privilegiado até e tornado valioso. Contudo, um outro assunto, bem diverso do atual, desde que se prestasse aos desenvolvimentos solicitados pelo artista, poderia ter sido eleito sem que se alterasse o núcleo temático. É interessante, a propósito, notar quão facilmente alguns títulos aparentados entre si e que certamente poderiam ser substituídos sem grande prejuízo podem induzir a equívocos de interpretação, sobretudo quando, na Bahia, evocam-se as raízes, atraindo para si a atenção do interlocutor que neles procura, em vão, o sentido das obras.

É claro que não se pode ignorar a presença dos signos pintados estão aí simplesmente e, ademais, traçados com um vigor e uma clareza que preservam prontamente reconhecível a sua procedência. Restam, entretanto, formalmente depurados, não mais atrelados ao contexto original do qual foram arrancados. Do símbolo emotivo só vestígios subsistem: a abstração os esteriliza; dir-se-ia que tal símbolo é o objeto a ser consumido, e então a operação pictórica consiste em fazê-lo recuar. Agora são esqueletos sobre e em torno dos quais a cor se encorpa, expande-se e se contrai alternadamente, e arrasta consigo a luz; são esqueletos a delimitar e dar sustentação a zonas de cromatismo vibrante, quando não submergem, diluídos, à potência destas. Não é novidade, para quem o tenha seguido em sua carreira, reconhecer em Guache um virtuoso da cor, que a intensifica, fá-la persuasiva [e também, nesse sentido, barroca], não raro estridente, criando, por vezes, intumescências à superfície do quadro sem quaisquer possibilidades de neutralizar-se e apagar-se, saturando-a antes com fulgores, que são também registros termométricos desse ambiente inventado. Os signos assumem valor tectônico: já quase uma arquitetura sem massa e sem peso (pois toda a densidade se restringe à própria realidade material da pintura, sua fisicidade), estão aí para aclarar relações logo não poderiam admitir outro talhe senão o geométrico.

A associação cor-forma geométrica é histórica: dos mosaicos romanos a Mondrian, das marchetarias renascentistas à publicidade contemporânea, que técnico das artes visuais pôde ignorá-la? Esse binômio é a língua dos brasões, dos emblemas áulicos d'outrora, mas é, não menos, o das logomarcas e ícones hodiernos. Entretanto a cor de Guache não é plana nem homogênea, embora firmemente encapsulada na grade geométrica e remetida continuamente ao plano; é, ao contrário, um campo de força cuja grande intensidade vibratória se arremessa à retina do observador, num efeito devido em parte à interferência de grafismos e pinceladas distribuídos irregularmente para pôr em relação áreas contíguas que de outro modo estariam isoladas, talvez inertes. Além disso, uma cor límpida, pura, pouco se prestaria a uma abordagem fundamentalmente dinâmica (ainda que não óbvia) da pintura; e o dinamismo aí alcançado é auto-evidente.

Mas há algo em Guache que, não sendo creio intencionalmente temático, nos informa dessa africanidade que se quer encontrar nessas obras. Esse algo subjaz à sua técnica colorística: um certo predomínio do quente e do morno dado pelo amplo uso de tons terrosos, óxidos de ferro naturais ou sintéticos. São arranjos cromáticos sugestivos de sua própria origem material, da sua categoria no reino natural. E é desse ponto de vista que se poderia falar, legitimamente, em raízes, na medida em que tais relações reverberam subjetivamente, como memória afetiva duma cultura na qual uma Natureza mítica, em contraste com as atuais tecnocracias, é ecoada sem cessar.

SERVIÇO

O quê: Exposição individual de Artes Plásticas.
Artista: Guache Marques
Onde: MAC - Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira em Feira de Santana
Título: "S!GNOS"
Naturalidade: Feira de Santana, 09 de janeiro de 1954.
Abertura: 25 de julho de 2008, sexta-feira, às 20h.
Visitação: de 26 de julho até 26 de agosto de 2008.
Localização: Rua Geminiano Costa, 255 - Kalilândia - Feira de Santana.

CONTATOS DO ARTISTA

Fones: 71 3116-7431 / 9936-6264
e-mail:
guachemarques@uol.com.br
guachemarques@hotmail.com


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25/09/2008 20:10:44 - piru
eu gosto de penis e dai??? so viado e do u cú kkkkkkkkkkkkkkkkkk meu nome é _ _ _ _ _ beijos pros homen
Postado por: Dhow
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